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Friday, November 5, 2010

Redactor convidado: Ivan Detstvo / A Infância de Ivan (1962)

Foi com alguma hesitação e com um envergonhado sorriso no rosto que Alexandra Corte-Real de Almeida, uma amiga, cinéfila como todos nós, acabou por aceitar o meu convite para fazer um texto sobre a sua perda de virgindade tarkovskiana, um momento marcante para qualquer amante de cinema.


O seu extâse, pelas suas palavras.

"Foram muitos os filmes que já vimos, nos cinemas e nas televisões, sobre a II Guerra Mundial, cada um tratando o tema sob uma perspectiva diferente, cada um com o seu próprio enredo interior e cada um, no geral, acentuando à sua maneira as consequências irreversíveis e avassaladoras que um conflito deste calibre tem. Pois bem, atrevo-me a dizer que o primeiro filme de Andrei Tarkovsky veio transcender qualquer visão sobre a guerra que eu já possa ter ponderado.

Em primeiro lugar é de realçar o facto de ser sob o olhar de uma criança que conhecemos o desastre que se fez sentir em terras russas.
Ivan, um menino de 12 anos que deambula entre a inocência do mundo onírico a que se agarra e a realidade tão mais vil e escura que tem em frente é órfão de pai e mãe e tentando fugir à Escola Militar ingressa nos Serviços Secretos Russos onde sente que poderá fazer algo pela guerra que encara. É a força vinda da ingenuidade de um rapazinho que teve de se adaptar e lutar contra (ou com) o duro contexto que lhe foi imposto que torna a película de Tarkovsky fascinante. Em paralelo ao percurso de Ivan assistimos ao comportamento dos adultos que o rodeiam e às relações que entre si estabelecem e que de certo modo contrastam com a simplicidade do protagonista, que apesar de condicionado pelo seu meio, não está ainda contaminado por esse.
Mas nunca é só no argumento e na premissa que reside a grandeza de um filme como este. É de louvar em Tarkovsky a sua capacidade de fazer a imagem e a forma como a capta falar por si só através das cores contrastantes e da iluminação sugestiva. Peguemos no exemplo dos sonhos que Ivan tem, nomeadamente com a mãe, todos carregados de uma simplicidade enternecedora que só sentimos graças aos tons cinzento claro e brilhante que acentuam a acção e fazem o espectador envolver-se mais facilmente e sentir-se, ele próprio, quase num sonho. Ou ainda, e como oposição, temos por exemplo as cenas em que vemos os vestígios da guerra e nas quais sentimos o pesar das cores escuras e das sombras que as cobrem. E, dando também a importância que o som tem ao deste filme, de realçar é a banda sonora escolhida a rigor, através da qual conseguimos quase de olhos fechados distinguir o mundo onírico do mundo real sem que isso nos seja mostrado como óbvio.

E é nessa completude de vertentes que A Infância de Ivan cresce a cada segundo até culminar num final que a meu ver não é se não perfeito muito embora triste e que sugere toda a inocência e simplicidade da infância que existe sempre em qualquer circunstância, por mais dura que seja, e que me deixou até nostálgica.

Porém, parece-me impossível escrever sobre Tarkovsky fazendo-lhe jus. Este filme deve, na realidade, ser tomado como o todo poético que é. Mais do que pensado e analisado tem de ser sentido para que o absorvamos na sua plenitude e com ele nos sintamos plenos também. E é nessa dimensão que se entende que a ligação que se estabelece com o cinema vale não só pelos elementos que compõem o filme mas essencialmente pela conexão de uns com os outros que fazem, neste caso, o todo maior e mais forte que a parte. E sem dúvida que, ver a Infância de Ivan, me veio provar isso mesmo instalando-se em cada bocado de mim e transformando-me com a sua própria transformação."

Friday, July 16, 2010

Os 25 filmes Disney de Renata Agostinho

Bom, em primeiro lugar, quero agradecer a todos os que têm partilhado a sua admiração, encanto e nostalgia em relação ao maravilhoso mundo Disney. Em segundo lugar, estou a dar mais visibilidade a um dos comentários, a gigante contribuição de Renata Agostinho (com blog sediado aqui), porque não só é uma ávida cinéfila como, pelo trabalho a que se deu, fundado no seu fascínio por estas encantadoras estórias, merece.


1. REI LEÃO
Indisputável campeão obviamente. História, animação, desenvolvimento de personagens, soundtrack, Timon, Pumbaa e Hakuna Matata. É o heavyweight champion da Disney.

2. HÉRCULES
Filme da Disney mais visto de sempre pela minha pessoa e pela minha compatriota (progenitora xD). Só por ter a voz do Miguel Ângelo dos Delfins este filme bateu tudo xD Para não falar nas músicas que me obrigavam a repetir a cassete trezentas vezes e a estragar a fita toda. Felizmente já adquiri o DVD para não haver mais queixume. É daquelas histórias que ainda hoje vejo e revejo e não me cansa. Aliás, o Hércules possui o melhor vilão de todo o sempre, o senhor Hades. E quem não gostar da voz maravilhosa do Fernando Luís na versão tuga pode sempre mudar para o original e deleitar-se com o James Woods (jogar Kindom Hearts também ajuda, muahahahaha). Adiante!

3. MULAN
Opa esta bosta tem o Mushu! Querem melhor?! Cantorias bonitas, um grilo que se chama Cri-cri e paisagens orientais? Por mim já ganhou xD Animação espectacular, distinta do resto e com um Imperador de frases feitas. Agrada-me.

4. BELA E O MONSTRO
Melhor filme romântico cá do sítio. Pouco lamechas, ligeiramente intimidativo e super bem animado. A cena da dança é de babar pelos orifícios todos, tendo em conta a altura em que o filme foi feito obviamente. Não vale a pena estar a repetir-me quanto ao resto. É globalmente bom (mas já não está no limiar dos 3 acima, esses são god-tier)

5. ARISTOGATOS
Bem, acho que as pessoas que têm este filme num rank alto da lista devem ser apreciadores de música. A cena jazzy do filme é contagiante. Além disso, tem uma animação meio crua e há partes em que parece que ainda se vê o traço do lápis. É brutal. As personagens também são memoráveis, deste os gatinhos àquelas patas enervantes e ao tio bêbado; o rato Roquefort, o mordomo mau, aqueles cães estúpidos e claro... o gato mais cool de sempre: O'Malley. Quase que podemos imaginar a sua versão humana xD

6. LIVRO DA SELVA
Excepto a Branca de Neve, deve ter sido um dos primeiros filmes da Disney que vi. Ainda hoje quando o revejo trás sempre aquela nostalgia estranha. Tem também dos melhores soundtracks do grupo e um dos vilões que mais me assustaram. O Sherikan é simplesmente aterrador. Aquela cena em que ele afia as garras está para sempre marcada na parte de trás do meu cérebro. Isso e os abutres idiotas que me conseguiam deixar petrificada. Acho que é um filme tão bem construído que mesmo não percebendo a linguagem uma garoto pode sentir tudo o que está a acontecer. Claro, já me ia esquecendo: o Balu e a Baguera são melhor par de atrelados xDD

7. NEMO
Deve ser o único do género pelo qual eu tenho uma estima grande. Todos os filmes Pixarescos 3D e tal nunca me agradaram. Tenho-lhes um desdém que não dá para explicar. Não obstante, o Nemo é o rei deles. A dobragem portuguesa esteve brilhante e a animação do fundo do mar foi brilhante. Parece que estamos lá dentro com os peixes pá. A história é comovente e tem a Doris a fazer o comic-relief. Adorei.

8. A BELA ADORMECIDA
Maleficient diz tudo. Comecei por teme-la. Até deixei de ver a cassete quando era pequena, mas agora que aprendi a gostar da mulher, tenho a dizer que está no meu top vilões de SEMPRE.

9. TARZAN
Deve ter sido um dos últimos filmes oldschool que a Disney fez antes de começar a investir no desperdício que se seguiu de formigas, galinhas, super heróis e tretas do género. Tem uma contribuição musical brutal em ambas as versões. Quem não gostar do Phil Collins come com o Luís Represas e vice-versa. Os gorilas estão no limiar do decente e o resto é palha. Vale pela animação genial e os backgrounds de fazer chorar por mais.

10. POCAHONTAS
Há que notar que o que me estragou a Pocahontas foi o degredo de sequela que se seguiu. Contudo, continuo a gostar muito do original. É uma história pseudo-verídica, com índios agradáveis à vista e animais de estimação divertidos. Tem uma dobragem que ultrapassa a versão inglesa (para variar) e a música mais badalada de sempre. Díficl de esquecer.

11. BRANCA DE NEVE
Epa serei só eu, ou a velha também meteu medo ao resto do mundo? Eu depois de ter visto este filme umas 20 vezes desisti. A bruxa metia-me medo demais xD É que nem os anões me ajudavam. O Rezingão então, esse não contribuía de certeza. Enfim, depois de 10 anos posso dizer que adoro esta animação primordial da Disney. Depois de vencer o meu medo da bruxa já consigo absorver toda aquela animação virgem e delicada. Parece que estavam com medo que o filme se partisse ao meio. É tão bébé que até faz rir. Um clássico.

12. ALLADIN
Uma palavra. Génio.

13. ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Acho que as dezenas de vezes que vi este filme quando era nova foram todas tentativas falhadas de o perceber. Para mim não havia objectivo no filme, a história não parecia ir a lugar nenhum. Fazia-me chorar quando a Alice ficava abandonada ou aterrorizada com as flores e pronto. Ficava ali. Agora, é diferente. Agora consigo ver a genialidade da coisa. Tudo neste filme gira em torno da aura de misticismo daquele mundo, desde a música ao design das personagens. Está cinco estrelas.

14. CINDERELA
Espectadores do sexo feminino e este filme estão intimamente ligados. Não tenho mais nada a dizer.

15. 16. 17. BAMBI, PINÓQUIO e DUMBO Estes clássicos estão todos no mesmo saco porque todos me faziam sofrer mas eu via-os à mesma. O meu lado sádico explica-se com este filmes. Eram tristes, metiam medo e eu via-os feita estúpida. Pelo menos tinham uma moral...

18. PETER PAN
Demorei alguns anos a apreciar este filme. As músicas eram giras e eu sonhava em deitar pó mágico como a Sininho. Como isso não aconteceu perdi um bocado o gosto pela coisa. O crocodilo também rondava o assustador.

19. PAPUÇA E DENTUÇA
Quando se sentirem deprimidos e tristes NUNCA vejam este filme. Isto só pode ser visto com uma dúzia de baldes à mão para chorar lá para dentro. A única coisa cómica é o subtil contributo do Tim Burton que na altura era um escravo da Disney.

20. CORCUNDA DE NOTRE DAME
Fenómeno Shrek: a personagem principal é feia logo é impossível eu gostar. Só valeu pela cigana e pelas gárgulas. Não tenho muitas memórias disto... ah! Lembro-me que comprei uma barbie com a roupa dela!

21. ALADDIN E O REI DOS LADRÕES
Dois tópicos justificam a visão desta segunda sequela: mão de Midas e pai do Aladdin. Agora ponham-se a ver isto!!!

22. PEQUENA SEREIA
Epa. Coiso e tal. Ela é sereia, depois já não é. Ele é um príncipe que gosta de sereias e tem um cão esfregona. Há uma vilã fixe e tal. A Ariel nunca me inspirou muita confiança. Aliás, depois de eu ter perdido a cassete não pude rever o filme mil e uma vezes para tentar gostar mais dele. Foi um filme que passou pela minha vida e não ficou.

23. MONSTROS E COMPANHIA
Teve piada. Os aliens eram cómicos e o grandalhão peludo estava tão bem animado que até me fazia impressão.

24. TOY STORY
Gostei do senhor Batata. De resto... bleh.

25. WALL-E
Não posso dizer que foi a melhor coisa que já vi porque não foi. Tudo bem, a animação era de explodir os miolos mas com a tecnologia que há hoje em dia não me surpreende. Para isso vou jogar Final Fantasy. A historia foi fofa mas eu não tenho um amor muito grande por robôs.