Tem uma realização interessante - câmara à mão, com a instabilidade que também caracteriza a família que estamos prestes a conhecer; estilo altamente documental, a fazer até um paralelismo bem conseguido com o documentário inicial sobre Dicky, que se transmuta na história da vida de Mick. Há um bom arranjamento da qualidade da fotografia durante os combates, conferindo-lhes um granulado de memórias televisivas gravadas em vídeo e funciona bem a opção pelo realismo, face, por exemplo, ao dramatismo de "Raging Bull". Whalberg não está nada de especial; Bale esta excelente; Amy e especialmente Melissa fazem um bom trabalho,
O argumento é o principal problema, já que o arco da história quase não e existe (uma evolução pouco expressiva, sentida; não é sequer progressiva). Não há um verdadeiro conflito entre Whalberg e Bale, nem entre Whalberg e a família, nem entre Whalberg e ele mesmo. Os irmãos são demasiado superficiais, já que a dualidade de sentimentos e emoções que lhes deveria dar profundidade é completamente afastada (onde raio ficou a verdadeira inveja do irmão mais velho ?), culminando num conto previsível, sem sal e moralista.
A meu ver, e apesar de se basear no que se baseia, esta seria a história, não de boxe, mas de dois irmãos. A história de como dois homens, tão próximos em sangue, vivências e sonhos, lutam um contra o outro e contra si próprios para se afirmarem perante si mesmos, a sociedade e o resto da família, mas, mais importante, para conseguirem provar a si mesmos e aos outros que tudo aquilo que pretender afasta-los um do outro correrá o risco de os fazer perceber de que os seus laços são inquebráveis.
Esta não consegue ser nem uma história de boxe, nem uma história de dois irmãos.