Peca, parece-me, por certa falta de rumo. Terá uma estrada, mas não um caminho. Senti pouca utilidade em muitas das sequências a que assisti e tive dificuldade em que articular um desenvolver de um tema sem interrupções forçadas de tentativas de extra-realismo. Por vezes, socorre-se demasiado da simbologia, ora do gesto ora da palavra, e a ligação das cenas torna-se um pouco arty.
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Wednesday, May 11, 2011
IndieLisboa'11: Attenberg (cobertura dia 6)
Peca, parece-me, por certa falta de rumo. Terá uma estrada, mas não um caminho. Senti pouca utilidade em muitas das sequências a que assisti e tive dificuldade em que articular um desenvolver de um tema sem interrupções forçadas de tentativas de extra-realismo. Por vezes, socorre-se demasiado da simbologia, ora do gesto ora da palavra, e a ligação das cenas torna-se um pouco arty.
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Saturday, November 27, 2010
Dogtooth / Canino (2009)
"Quando o teu canino direito cair, podes sair de casa em segurança. Ou o esquerdo. Não faz diferença.". É em pleno açoite ao patinho mais feio da Europa dos 27, por parte dos mercados internacionais e do próprio FMI, que surge um dos melhores filmes não só do ano mas dos últimos anos.
O argumento é brilhante, com uma narrativa inteligente e sagaz, que na passividade inconsciente das personagens em combater a sua condição, cria uma progressiva evolução em direcção à questionabilidade, ao arriscar, ao espreitar, a um soltar de amarras e aflitivas correias. Várias pistas vão sendo deixadas ao longo dos noventa minutos sobre o estado momentâneo daquela família e dos cliques de nova fase que ameaçam surgir - como a associação que fazemos entre uma cena inicial, em que os filhos discutem sobre quem ficará com o avião se este cair, e uma cena mais tardia, em que a mãe deixa cair um avião de brincar, numa diferença que as "crianças" não sabem distinguir. Ou uma primeira fase, em que uma das filhas apenas espreita para dentro do quarto enquanto a mãe fala ao telefone, para uma segunda fase em que discute isso com a irmã, para uma terceira fase em que ela própria avança clandestina na direcção do misterioso objecto.Uma jornada que segue a vida de três filhos já adultos que sofrem uma educação condicionada (a caverna), que lhes tolda o significado da vida: o significado do berço (dar à luz é um instrumento de manipulação e estratégia); o significado das palavras (enfraquece a essência linguística da comunicabilidade); o significado do corpo (do amor, do sexo, do gesto, do movimento); o significado da moral (o incesto, o paralelismo com os cães, em sons e acções); o significado dos sentimentos (da liberdade, da afecção).
Um minimalismo luminoso e esbranquiçado, silencioso e enclausurante, que nos transporta para um final cuja continuação não sabemos se queremos ver, já que daí resultará a restrição perpétua, castigo da revolução, ou, enfim, a luz e harmonia no alcance de novas realidades, como o admirável voo do avião que nunca cai.
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