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Tuesday, May 4, 2010

Life During Wartime / A Vida em Tempo de Guerra (2009)

Mais um que vi no IndieLisboa'10, mesmo para terminar. E posso dizer que fiquei contente. Não foi brilhante, mas saí do cinema bastante bem disposto. Não conhecia nada do director, Todd Solondz, mas tenho tendência a gostar de melodramas cómicos, estilo que o caracteriza. Esta peça não fugiu à qualificação - e ainda bem, diga-se, já que é isso que salva o filme.

Temos duas personagens a partir das quais se desenrola a estória: as irmãs Trish (Allison Janney) e Joy (Shilrey Henderson - qualquer pessoa que tenha visto os filmes de Harry Potter identifica a rapariga, já que aquela voz não engana absolutamente ninguém: Murta-Queixosa). A primeira vive um novo amor com um homem mais velho, a perfeita figura paternal para os seus filhos, depois de ver o marido condenado à prisão por pedofilia (os dois filhos mais novos pensam que morreu; o universitário sabe de tudo, já que ele próprio terá sido abusado). A segunda vem ter com a primeira, deixando, em New Jersey, o seu trabalho numa penitenciária e os fantasmas do seu passado (entenda-se, um fantasma a sério, um homem problemático com quem havia tido uma relação e um fantasma metafórico, um homem problemático, vivo, com quem tinha uma relação que estava em "stand by", além de todas as suas inseguranças e dramas internos).

Às tantas, o marido de Trish é libertado e, paralelamente, o filho pré-adolescente (Dylan Snyder) descobre a verdade sobre o pai, entrando numa espiral paranóica quando à pedofilia e ao perdão que merecem os pedófilos - é esta sua visão assustada da patologia que arruína a relação da mãe com Harvey (Michael Lerner) e a possibilidade de voltarem a ser uma família "normal" (adjectivo a que Trish recorre por diversas vezes - ela só queria uma vida normal). Assistimos também à decadência irreversível do ex-condenado, Bill (Ciaran Hinds), que acaba por pedir perdão ao filho, antes de "morrer numa sarjeta".

Ao mesmo tempo, os fantasmas de Joy voltam a assombra-la, levando-a à loucura, que, por sua vez, a leva a tentar agarrar-se à única coisa que lhe resta: o homem que deixou em "stand by". Este acabava de suicidar-se.

Um filme que segue uma linha um pouco diferente do normal: em vez de partir da desgraça para a esperança, parte da esperança para a desgraça. Uma verdadeira espiral descendente.

A premissa é interessante. Porém, achei a estrutura do argumento um pouco desconexa e com algumas cenas a soarem a aleatórias (quer o seu fim, para a estória, quer a sua inserção no todo, como conjunto coerente - não obstante, ganhou melhor argumento em Veneza). Houve coisas mal explicadas, além disso - compensaram os diálogos, que estão qualquer coisa. Muito, muito engraçados. Todo o cinema soltou várias gargalhadas. Foi, de facto, o ponto forte. Quanto aos actores, tenho pouco a apontar. Ninguém esteve particularmente mal, o único que se destacou foi o rapaz, Dylan. A realização deixou um pouco a desejar, em alguns pontos: houve duas ou três cenas cortadas de forma brusquíssima e, na "introdução" da casa da família, na parte do belo jardim, era sempre a mesma filmagem.

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Sunday, May 2, 2010

INDIELISBOA'10: prémios e algumas críticas

Está a chegar ao fim o festival de cinema independente da cidade de Lisboa. Os prémios foram atribuídos na última noite e, do que tive a oportunidade de ver (o que não foi muito, infelizmente), o balanço é positivo.

Curtas das quais gostei particularmente: I Love Luci, Ella, Tigre, Dreams From the Woods, La Harde.

Au Voleur (dir., Sarah Petit, França, 96')
Bruno (Guillaume Depardieu) é um ladrão amador que se envolve numa relação com uma professora, Isabelle (Florence Loiret Caille), ligeiramente frustrada com o rumo que a sua vida e a sua carreira estão a levar (a mediocridade da "Substituta"). A certa altura, a polícia corre atrás de Bruno e o casal foge para uma floresta, onde, passando por sítios muito bonitos, vivem umas férias quase perfeitas - têm até comida, que roubaram de uma casa nos arredores. A dificuldade surge perto do final, quando se atrevem a ir a uma festa popular e Bruno é reconhecido por um polícia, iniciando-se um tiroteio que acaba com a morte do segundo e com os ferimentos do primeiro. No final, Isabelle consegue salvar o seu homem, deixando-o estendido no chão enquanto chega a ambulância e foge, a pé, a andar. Está engraçado.

The Robber (dir., Benjamin Heisenberg, Alemanha/Áustria, 97')
A história de Johann Retenberger (Andrea Lust) que, acabado de sair da prisão onde se entregou a uma intensiva preparação física, se entrega ao roube e à maratona. Ao mesmo tempo que assalta bancos, a certa altura apenas por adrenalina, bate o record nacional da corrida dos 42km e tem um caso com Erika (Franciska Weiz). Tudo vai por água a baixo quando Johann, no final de mais uma das suas corridas, assassina de forma não premeditada um comissário encarregue de escrever os relatórios sobre a sua reintegração na sociedade. Ao mesmo tempo, Erika descobre que o namorado é o responsável pelos mediáticos assaltos a bancos, que têm vindo a ocorrer nos últimos tempos. O atleta é preso, consegue fugir e corre sem parar durante horas e horas a fio, acabando por roubar um carro e se fazer à estrada. Porém, uma facada que sofreu quando ainda estava a mote a pé, acaba por ser fatal, em plena autoestrada.
O conceito e os traços gerais da estória tinham tudo para dar um excelente filme. Desiludiu-me, porém. Assistimos, basicamente, a uma correria incessante (quer seja em provas, quer seja a correr do banco para o carro). O próprio actor foi-me indiferente.

Le jour ou Dieu est parti en voyage (dir., Philippe Van Leew, França/Bélgica, 100')
A localização espacio-temporal é a dos terríveis massacres do Ruanda. Jacqueline (Ruth Nirere), numa interpretação de tirar o chapéu, trabalha numa casa de uma família francesa, que consegue fugir, ajudada pelo exército. Nirere esconde-se em casa, assustada, enquanto ouve os rebeldes entrarem e destruírem tudo o que podem, acabando fugir, na manhã seguinte. A partir daqui, é a estória de uma mulher fugida e perseguida, que se esconde numa floresta, onde encontra um homem ferido, na mesma situação que ela. Trata dele (de forma muito pouco ortodoxa - quer dizer, com os recursos que tem) e juntos vivem quase como marido e mulher durante vários dias, sobrevivendo de caça rudimentar, sementes e água de um pequeno riacho. Raramente trocam uma palavra. A certa altura, passamos a assistir a um retrato da loucura a que Jacqueline não conseguiu fugir, um retrato perfeito de toda uma época, num final tocante, de entrega à submissão. A pergunta que fica no ar é "O que farão com ela ?".

10 to 11 (dir,. Pelin Esmer, Turquia, 110')
Uma ficção semi-biográfica (a personagem principal é o tio da realizadora; o próprio actor interpreta-se a si próprio) de um homem, Mithat Esmer, que vive obcecado em coleccionar tudo, na bela cidade de Istambul (como dizem as críticas, esta é a "verdadeira personagem principal"). Certo dia, depara-se com o obstáculo da sua vida: o seu prédio terá de ser demolido. Enquanto que todos os seus vizinhos já se estão a mudar, Mithat, qual velho do restelo, recusa-se firmemente a abandonar o seu barco - enquanto isso, numa propositada indiferença, quase ingénua, continua a sua colecção, sem que possa faltar sequer um único jornal do dia. Os diálogos de Mithat são soberbos e a interpretação (que recebeu uma menção honrosa) está fantástica. A fotografia é bonita.

Guerra Civil (dir., Pedro Caldas, Portugal, 90')
Saí da sala de cinema, inspirei e esbocei um sorriso. Foi revigorante ver que o cinema português sabe mesmo contar (bem) boas histórias. Durante o final do verão de 1982, Rui (Francisco Belard), um adolescente que tem de estudar para os exames de Outubro, vive fechado no seu eu - tem um rato de estimação, quase não fala para a mãe, não vai à praia, ouve música em altos berros, acompanhada de danças estranhas, e faz desenhos de mulheres nuas. Ao mesmo tempo, Joana, animada e descontraída, puxa por ele - dá-lhe nova música (Orange Juice, nomeadamente), enche-o de perguntas engraçadas e desconfortantes sobre a sua vida e os seus desenhos, leva-o até à praia. A rapariga dá-lhe todos os sinais; ele fica sempre de pé atrás. Ele gosta dela, ela quer ... bem, divertir-se. A insegurança e hesitação de Rui levam-no a aperceber-se de que Joana não está verdadeiramente interessada nele - numa festa, por não receber um beijo do nosso "autista", leva outro rapaz pela mão. Engraçado está o facto de Rui encontrar vários casais, ao ir atrás deles, mas nunca vemos quem ele quer. Ao mesmo tempo, a falta de atenção que o seu pai dá a sua mãe, leva-a a procurar a paixão num rapaz muito mais novo. Um escaldante caso de verão, que não termina quando o marido chega, assistindo e contribuindo para a deterioração daquela família, após tentativas frustradas de se aproximar do filho. A estruturação do argumento está particularmente deliciosa: a perspectiva de Rui, a perspectiva da sua mãe. Tiro também o chapéu aos três actores principais. Maravilhosa fotografia, excelente iluminação e banda sonora. O filme que mais gostei, dos que vi, deste Indie'10.


Prémios:

Grande Prémio Cidade de Lisboa

«Go Get Some Rosemary», de Ben Safdie e Josh Safdie (EUA)

Prémio de Distribuição Caixa Geral de Depósitos

«La Pivellina», de Tizza Covi e Rainer Frimmel (Itália/Áustria)

Prémio Tobis para melhor Longa-Metragem Portuguesa

«Guerra Civil», de Pedro Caldas (Portugal)

Prémio AIP/Kodak de Melhor Imagem para Longa-Metragem Portuguesa

«Sem Companhia», de João Trabulo (Portugal) – Fotografia: Miguel Carvalho

Menção Honrosa para Melhor Interpretação

Mithat Esmer, actor de «10 to 11», de Pelin Esmer (Turquia)

Curtas-Metragens

Grande Prémio Inatel – ex-aequo:

«Cocoon», de Till Kleinert e Tom Akileminu (Alemanha)

«La Neige Cache l’Ombre des Figuiers», de Samer Najari (Canadá)

Menção Honrosa

«La Harde», de Kathy Sebbah (França)

Prémio Media Recording para Melhor Curta-Metragem Portuguesa

«A History of Mutual Respect», de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt (Portugal)

Menção Especial

«Fuera de cuadro», de Márcio Laranjeira (Portugal)

Prémio Restart para Melhor Realizador Português de Curta-Metragem

Sandro Aguilar, por «Voodoo» (Portugal)

Prémio Novo Talento Fnac (para o realizador da competição nacional de curtas-metragens que se revele um talento emergente)

«Carne», de Carlos Conceição (Portugal)

Prémio AIP de Melhor Imagem para Curta-Metragem Portuguesa (Participação no XVIII International Film Festival of the Art of Cinematography, em Lodz, na Polónia):

«O Verão», de João Dias (Portugal) – Fotografia: Daniel Neves

Prémio RTP 2 Onda Curta

«Enterrez nos chiens», de Frédéric Serve (França)

«Cyclist», de Marc Thuemmler (Alemanha)

Prémio do Público para Melhor Longa-Metragem

«Pelas Sombras», de Catarina Mourão (Portugal)

Prémio do Público para Melhor Curta-Metragem

«Cities on Speed: Bogota Change», de Andreas Mol Dalsgaard (Dinamarca)

Prémio Fipresci

«Castro», de Alejo Moguillansky (Argentina)

Menção Honrosa

«Au Voleur», de Sarah Leonor (França)

Prémio RTP Pulsar do Mundo

«Les Arrivants», de Claudine Bories e Patrice Chagnard (França)

Menção Honrosa

«Barbe Bleue», de Jeanne Gailhoustet e Anne Paschetta (França)

Prémio Amnistia Internacional

«Les Arrivants», de Claudine Bories e Patrice Chagnard (França)

Menção Honrosa

«Ilha da Cova da Moura», de Rui Simões (Portugal)

Prémio Signis – Árvore da Vida

«Pelas Sombras», de Catarina Mourão (Portugal)

Menção Honrosa

«Nenhum Nome», de Gonçalo Waddington (Portugal)

Prémio IPJ para o melhor filme da secção IndieJúnior

«The Six Dollar Fifty Man», de Louis Sutherland e Mark Albiston (Nova Zelândia)

Menção Honrosa

«Plank», de Billy Pols e Liedewij Theisens (Holanda)

Menção Honrosa

«Jacco’s Film», de Daan Bakker (Holanda)

Prémio do Público IndieJúnior Pais & Filhos

«Summer Wars», de Mamoru Hosoda (Japão)

SAPO/IndieLisboa

Monday, April 26, 2010

Re-Animator (1985)


Uma peça já antiga que passou hoje no Culturgest (INDIELISBOA) e que resolvi ver.

Um puro sci-fi/horror bem ao jeito que não costumo gostar e que me surpreendeu pela positiva. Veio da direcção do americano Stuart Gordon (não conheço nada dele) e trouxe-me aos sentidos toda a atmosfera cientológico-medieval que eu sentia experimentar de todas as vezes que via ou ouvia histórias relacionadas com o mito do Frankenstein - um cientista maluco encerra um extravagante laboratório no seu castelo nas montanhas e consegue ressuscitar um morto.

Desta vez não há castelo. Herbert West (Jeffrey Combs) é um estudante de medicina que julga ter descoberto um reagente que, aplicado à fórmula do seu ex-mentor, pode trazer os mortos de volta para o mundo dos vivos. Acaba ir viver para casa de um brilhante estudante de medicina, Dan Cain (Bruce Abott), em cuja cave encerra o tal característico laboratório.

Dan acaba por se tornar o seu parceiro na experimentação do produto. Porém, as coisas correm mal. Primeiro, Meg (Barbara Crampton) acaba por ser metida ao barulho, ao assistir, involuntariamente, a uma experiência com um gato (era algo, supostamente, secreto). Segundo, o Director da faculdade e grande admirador de Dan, ao saber, pela sua boca, do projecto de West, declara-o como louco, retira-lhe a bolsa e proíbe-o de ver a filha (Meg). Posteriormente, os resultados finais não se revelam o esperado - os novos vivos não são mais "pessoas". Não são racionais nem têm qualquer traço de personalidade - quando acordam, são pouco mais do que animais ferozes e descontrolados.

É a partir deste último problema que tudo se complica. Uma ressuscitação corre mal, morre o Director, a sua ressuscitação corre mal e entramos no comboio de criação de pseudo-zombies. No meio de tudo isto surge o nosso antagonista: Charl Hill (David Gale). Hill é um neurocirurgião brilhante que desde cedo se vê confrontado com as declarações de West, sobre a forma como todos os seus estudos são plágios. É onde surge o ódio pessoal entre os dois. O médico acaba por descobrir do projecto dos dois estudantes e vai até à famosa cave onde é morto. E ressuscitado.

E eis que se inicia um plano B: o plano do mau: ficar rico e famoso com a nova descoberta e deliciar-se com Meg. West e Cain conseguem o comeback para, na morgue, terem de enfrentar um exército de novos vivos.

O final é triste. Depois de todos estarem definitivamente mortos (incluindo Hill e West; este último, permitam-me, sufocado por um intestino com vontade própria, *risos*), o filme termina com Dan a tentar reanimar a namorada, sem sucesso, numa imagem semelhante à inicial (depois dos créditos), que transmitem, especialmente pelas reacções da médica supervisora, a inevitabilidade da morte.

Porém ... Dan ainda tem um frasco do antídoto.

A construção do filme não está nada de especial, aliás, com alguns cortes um bocado bruscos. Mas há imagens que superam em muito o nosso caro SAW. O argumento podia estar ridículo, mas, como disse, achei-lhe graça (com as devidas incongruências, mesmo num sci-fi, como por exemplo, uma cabeça a respirar sozinha). Houve coisas que ficaram por explicar mas houve uma que me chamou particularmente a atenção: porque é que todos os ressuscitados ficam irracionais e estúpidos e o Hill ficou "normal" ?

Por fim, deixem-me deixar uma nota para o facto de estar para sair, em 2010, o House of the Re-Animator. Pensei que fosse um remake. Porém, as personagens estão ligeiramente diferentes. Não elas próprias, mas sim o seu percurso. Ao que parece, Meg é Dama de Honor e contamos ainda com destaque para o Presidente e Vice-Presidente dos EUA. Dan e West estão presentes e serão interpretados pelos mesmo actores, bem como a ex-namorada do médico. Se assim for, ou é uma versão totalmente nova ou, no fim de contas, este primeiro filme teve um final feliz.

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Tuesday, April 20, 2010

INDIELISBOA'10: Perspectivas (Parte 4)


OBSERVATÓRIO
E porque pode não ser óbvio o que trata esta categoria: "É um panorama sobre as obras essenciais do cinema independente contemporâneo do último ano, apresentando filmes de cineastas consagrados.".


OBSERVATÓRIO - LONGAS-METRAGENS

The Bad Lieutenant: Port of Call, New Orleans (dir. Werner Herzog, EUA, fic., 121').

Mc Donagh (Nicholas Cage) é um detective da polícia de NO, viciado em drogas analgésicas que começou a tomar em virtude dos danos físicos que sofreu durante os salvamentos que se seguiram à passagem do furacão Katrina. A sua degradação interior não o afasta do caminho do combate ao crime e mergulha numa jornada contra um assassino de uma família senegalesa e na protecção de uma testemunha contra um traficante de droga. Ao seu lado, como sua namorada, temos Eva Mendes no papel de Frankie, uma prostituta toxicodependente.

City of Life and Death (dir., Chuan Lu, China, fic., 132')
Depois de passar vários meses no "exame de censura", antes de sair para os cinemas chineses, acabou por ser um sucesso e, cito o programa do festival, "é um grandioso épico que entra directamente para a lista dos melhores filmes de guerra de sempre.". Conta a história da invasão japonesa na cidade Nanquim, poucos anos antes do despoletar da II Guerra Mundial (1937), episódio conhecido como o "massacre de Nanquim". Sobre as personagens, de uma combinação bastante heterogénea, espero grandes coisas, nomeadamente nas suas relações umas com as outras: uma professora, um soldado, um missionário e um homem de negócios nazi.

Fantasia Lusitana (dir., João Canijo, Portugal, doc., 65')
(já abordado na "Parte 3").

Life During Wartime (dir., Todd Solonz, EUA, fic., 96')
Confesso que não conheço nada deste autor, mas o que li, numa breve pesquisa interessou-me. Este é um melodrama-cómico que conta a história de duas irmãs: uma que tenta reconstruir a vida longe do marido pedófilo, entretanto libertado da prisão e outra que tenta seguir a vida também longe do marido, enquanto trabalha num estabelecimento prisional e não consegue que a sua aura angelical evite o desmoronar de certos muros que escondem certos segredos.

Mother (dir., Joon-Ho Bong, Coreia do Sul, fic., 129')
Repleto de boas críticas, Mother conta a história de uma mulher que luta para provar a inocência do seu filho de 29 anos, deficiente mental, injustamente acusado de um homicídio, por incompetência do advogado de defesa e da ineficácia e despreocupação da polícia. Um dos que mais quero ver, mas um dos que me será mais difícil de ver, por questões de horário.

My son, my son, what have ye done (dir., Werner Herzog, EUA, fic., 93')
Inspirado na história de Mark Yavorsky, que assassinou a sua mãe "à facada" e em Orestes, a tragédia grega de Eurípedes, o filme conta exactamente um matricídio, perpetrado por Brad McCullum (Michael Shannon), desencadeado por várias razões: umas vozes estranhas que começa a ouvir numa viagem que faz, a obsessão pela tragédia grega, a qual chegou a representar e a excessiva, quase lunática, protecção e pressão da sua mãe. Ao seu lado temos Ingrid, sua namorada (Chloe Sevigny) e contra si temos Hank Havenhurst (William Dafoe), detective encarregue da investigação do crime.

Tales from the Golden Age (dir., Christian Mungiu, Hanno Hofer, Razvan Marculescu, Constantin Popescu, Ioana Uricaru, Roménia, fic., 155')
Mais um sobre o terrível regime ditatorial que a Roménia viveu sob a governação de Ceaucescu. O filme tem a particularidade de ter sido dividido em cinco partes, tornando o projecto um projecto de colaboração de vários realizadores. "Uma visão cómica e dramática (...).".


OBSERVATÓRIO - CURTAS-METRAGENS


The Darkness of the Day (dir., Jay Ronseblatt, doc., EUA, 26')
Trata a depressão, mortalidade (nomeadamente o suicídio) e o isolamento, reflectindo sobre o escritor italiano Primo Levi, sobrevivente do Holocausto.

Mudanza (dir., Pere Portabella, doc., Espanha, 20')
Retrata o assassínio simbólico do poeta espanhol Garcia Lorca, por parte das tropas franquistas.

INDIELISBOA'10: Perspectivas (Parte 3)

Os portugueses eram aqueles que queria ver todos. Acho que é, no mínimo, importante. Mas não me será possível. Seguem aqueles que mais interesse me despertam (e como o tempo é pouco, seguem, salvo uma ou outra excepção, sem descrição. Deixarei links para o "profile" de cada um, no site oficial do festival).

COMPETIÇÃO NACIONAL - LONGAS-METRAGENS


Fantasia Lusitana (dir., João Canijo, doc., 65')
A este tenho de acrescentar uma descrição, já que, de todos os que gostaria de ver, é o que mais me aguça o interesse. Um documentário sobre a influência que as dezenas de milhares de refugiados do regime nazi tiveram na cultura que enforma a sociedade portuguesa desde então.

Traços de um Diário (dir., Marcos Martins e André Príncipe, doc., 90')
Um documentário sobre a fotografia e captação de imagem. Link.

Guerra Civil (dir.,Pedro Caldas, fic., 90')
(já abordado na "Parte 1")

Sem Companhia (dir., João Trabulo, doc., 85')
Um documentário sobre a vida de uns jovens, numa prisão, e a utopia que será o regresso à liberdade. Link.


COMPETIÇÃO NACIONAL - CURTAS-METRAGENS


Verão (dir., João Dias, fic., 17')
(já abordado na "Parte 2")

Muito Além (dir., Mário Gomes, doc., 50')
(já abordado na "Parte 2")

Nenhum nome (dir., Gonçalo Waddington, fic., 17')
(já abordado na "Parte 2")

Não consegui obter informação sobre as restantes curtas em competição.

INDIELISBOA'10: Perspectivas (Parte 2)


Competição Internacional - Curtas Metragens

Ella (Noruega, 24').
Uma mulher de 70 anos que gosta de beber e chatear as assistentes domiciliárias. Ah, e não toma banho.

Mother (Polónia, 11')
Um retrato da solidão de uma prisioneira que espera pelo filho na sala de visitas.

Dreams from the Woods (Suécia, 9')
Uma animação sobre uma rapariga que é atraída pelos mistérios de uma floresta, pela harmoniosa melodia da flauta da Morte.

Cocoon (Alemanha, 7')
A importância que um novo penteado pode ter na adolescência.

Grandmother (Japão, 35')
Uma mulher acorda de um coma que em que permanecia há 50 anos, para morrer de seguida. Uma reflexão sobre a vida e a morte, protagonizada pelos seus familiares.

Oxygen (Roménia, 40')
Um breve retrato da angústia vividas por um homem e uma mulher na Roménia de Ceaucescu, que não aguentam e decidem mudar as suas vidas. Contém "imagens de arquivo raras".

The Little Snow Animal (Finlândia, 19')
Não consegui saber muito sobre o conteúdo, mas a breve descrição feita no programa do festival despertou-me o interesse: uma história de amor com imagens de animação, ficção e documentário.

Brune Renault (França, 17')
Quatro rapazes andam à volta num Renault, protagonizando algumas cenas de cariz cómico (pareceu-me), terminando com a avocação de arqueótipos tais como James Bond ou Sharon Stone. Dos que mais aguardo.

Verónica (Portugal, 18')
Uma noite em que se cruzam, num churrasco, dois vendedores de droga, dois viajantes e ... um vestido.

Verão (Portugal, 18')
Um homem chega a uma ilha onde tenta a sua sorte com duas raparigas. Sem sucesso. Bem, a ilha também já se chamava "Ilha do Desespero" ...

Enterrez nos Chiens (França, 50')
Um relato de uma antiga tragédia, perpetuada numa pequena cidade e a reconstrução do crime até à descoberta da peça que faltava.

Four boys, white wiskey and grilled mouse (Tailândia, 10')
Uns breves minutos sobre a profunda simbologia da liberdade onde quatro rapazes, no meio de um campo de arroz, bebem wiskey e comem rato grelhado.

Pal Lines (Roménia, 17')
Uma luta de uma mulher contra o trauma que a acompanha desde um grave acidente que sofreu. É a sua oportunidade de perceber porque é que a sua vida ficou sem sentido.

Wakefield (França, 28)
Wakefield diz à mulher que vai viajar, em negócios. Porém, o que faz é instalar-se numa cabana perto de casa. Vai preparando o seu regresso. Mas o tempo passa e a sua mulher acaba por aceitar a sua morte e entrar numa depressão.

Out of Love (Dinamarca, 29')
Um relato sobre a forma como vivem as crianças no Kosovo, a vender cigarros, no seu pequeno mundo.

Voice on the Line (EUA, 6')
Uma mistura de filmes e arquivos dos anos 50, "resultando numa operação secreta e numa viragem bizarra de larga escala".

Nenhum nome (Portugal, 17')
Mais por ser português do que pela história que parece contar, é sobre X, um homem que perdeu a sua mulher, grávida, num acidente, que conhece uma enfermeira, de nome K, também grávida, pelo que surge uma ligação.

Little Red Hoodie (Reino Unido, 14')
Ao que sei, é uma versão hardcore do capuchinho vermelho.

Muito Além (Portugal, 50')
Uma aldeia portuguesa que morre lentamente. No verão, volta a irradiar vida por alguns dias. Até voltar a mergulhar no leito que a leva direitinha para o desvanecimento.

Sunday, April 18, 2010

INDIELISBOA'10: Perspectivas (Parte 1)

Os que mais aguardo.

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL - LONGAS METRAGENS.

10 to 11 (Turquia).
Uma história sobre um coleccionador obsessivo, que passa a vida a percorrer as ruas da magnífica Istambul, luta para salvar a única coisa que tem: as suas colecções. Para isso, terá de contar com a ajuda de Ali, um sujeito de uma pequena aldeia a quem a grande cidade não diz nada. Com a capital turca como "personagem principal", este promete ser um filme em que duas vidas se preparam para mudar, à medida que descobrimos as belezas de uma outra cultura.

The Blacks (Croácia).
Terminou a guerra dos Balcãs com a assinatura de um tratado de paz. Mas um grupo de soldados não consegue afastar as memórias e os traumas que ameaçam perpetuar-se nos seus "eu" e ameaçar a paz das suas vidas, algo que os leva a lançar-se numa nova missão: a do resgate de vários cadáveres numa floresta armadilhada. No entanto, o inimigo parece que está bem mais perto do que se previa.

Castro (Argentina)
Edgar Castro, argentino, anda fugido da mulher Rebbeca, que não vai descansar enquanto não o encontrar. Um filme com ritmo elevado, mistério (esconderijos, pistas, revelações) e, segundo consta, alguns toques de comédia.

Guerra Civil (Portugal)
Um filme português, de Pedro Caldas, que conta a história dos dramas de uma família portuguesa, num verão de 1982 (com uma banda sonora bastante adequada, ao que consta), ameaçada pelas crises existenciais dos seus membros e a descoberta do sexo na adolescência, entre outras coisas.

Le jour ou Dieu est parti en voyage (França/Bélgica)
O drama de uma uma jovem tutsi, durante os dias do genocídio de Ruanda, que fica abandonada na casa onde trabalha, aquando da fuga da família. É uma noite de sofrimento. Na manhã seguinte consegue fugir e esconde-se num bosque onde encontra alguém na mesma situação.

The Robber (Áustria)
A jornada do recordista nacional (da Áustria) de maratona que, simultaneamente, é um dos mais bem sucedidos assaltantes de bancos do país. Uma adrenalina que passa da corrida para o roubo, algo que não consegue controlar. Chega a contar os batimentos cardíacos durante um assalto. Interessante será ver como é que a polícia o vai apanhar. Faz lembrar a antiga anedota do homem fininho que rouba o lugar a um outro, bastante composto, que, por sua vez, lhe diz que está arrumado porque é "lutador de boxe", ao que o ameaçado responde que é "corredor da maratona".

INDIELISBOA'10: contagem decrescente.

Faltam apenas quatro dias para o início do grande festival de cinema independente de Lisboa, decorrendo entre 22 de Abril e 2 de Maio. Os bilhetes já estão à venda à cerca de duas semanas, desta vez com a possibilidade de escolha entre dois packs: 10 ou 20 sessões.

Sobre uma breve descrição das várias categorias e, mais importante, sobre os filmes em exibição no festival, bem como os horários, não fiquem sem consultar a programação.

A abrir, teremos, como já puderam saber numa das notícias de há vários dias, Greenberg de Noah Baumbach (starring Ben Stiller) e Fantasia Lusitana, um documentário de João Canijo.