Showing posts with label Comedy. Show all posts
Showing posts with label Comedy. Show all posts

Sunday, May 22, 2011

Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides (2011)


Não tenho muito para dizer e vou restringir-me ao essencial: não estou desapontado. O plot é fraco, tem buracos, é atolado de clichês e, não fosse o que se segue, seria irritantemente previsível. Porém, só fui ao cinema por quatro coisas: (Cap.) Jack Sparrow, Penélope Cruz, Hans Zimmer e cómicas cenas de acção envolvendo os três elementos anteriores. Não podia sequer esperar por mais - nunca igualaria o grande The Curse of the Black Pearl (como nenhum dos outros o fez), nem tão pouco alguma vez acreditei que o Barba Negra pudesse ser Davy Jones. Portanto, diverti-me e apenas reclamo com o elevado preço do bilhete, que dissipa admirações com a decrescente afluência às salas (aqui o 3D piorou as coisas, se bem que não só em termos económicos). Deixo destaque para a fotografia e para a sequência das belíssimas sereias.

Friday, February 18, 2011

True Grit / Indomável (2010)


Depois de anos e anos a fugir à conceptualização dos filmes em géneros, viajantes por entre várias misturas e reedições dos muitos existentes, eis que os irmãos Coen chegam aos cinemas com uma peça mais concreta do que nunca: um puro e divertido western. E ainda assim não consegue, nem é suposto, ser um western totalmente convencional, já que à sua maneira o fazem renascer peculiarmente, através de uma bonita e empolgante musicalidade humorística que envolve o que se vai passando.

Na criação de personagens, como eles não há ninguém, creio, e aqui não fogem à regra. Desde o empertigado La Bouef, à indomável Mattie, de 14 anos, ao extraordinário Cogburn (mais um belo trabalho de Bridges), as personalidades em que se erguem seguem mais pelo quadrante cómico do que pelo negro, algo que também contribui para a sua afirmação como personagens mais clássicas e mais acessíveis à generalidade das audiências. São eles que conseguem conduzir um filme que peca por ter um plot relativamente fraco, uma falta de antagonismo que amassa o conflito até ficar pastel. Fazem-no sob o fundo de enquadramentos, movimentos de câmara e uma fotografia lindíssimas e perfeitamente narrativos, que captam com majestoso vigor todos os beats mais importantes da peça - são tão bem usados aqui os long-shots, como na cena da "caça nocturna" ou no duelo final. Mas fazem-no sobretudo através de diálogos magníficos (como a negociação inicial), que vão fazendo avançar as relações que cada um dos três tem com cada outro, numa crescendo de respeito e considerações mútuos, sempre banhado de um óptimo humor irónico.


Só é pena que Indomável se foque apenas na alteração da visão que cada personagem tem do outro, enquanto que a aventura é arrastada para segundo plano (os maus da fita são muito falados mas descurados em aparição e actuação), algo que poderia ter apimentado as coisas e ter resultado melhor para todos os lados. Não deixa de ser um belo filme.

Thursday, February 10, 2011

Io Sono L'Amore / Eu Sou o Amor (2010)

Requintado e sensual na fotografia, na direcção artística, no guarda-roupa, nos passos e gestos da extraordinária Tilda. O ritmo lento de todo o filme passa muito bem no primeiro acto, em que ficamos a conhecer a vida da burguesa família italiana Recchia, que nos estabelece as premissas da integridade, da compostura e do tradicionalismo, prontas a serem quebradas. As cores quentes do interior frente às cores frias o exterior marcam a pertença e o que está para além dela. O problema é que o crescendo de tensão que se adivinha chega tarde, desenvolve-se esporadicamente e termina mal.


Por um lado, Guadagnino coordena a câmara de forma belíssima, criando travellings e zooms intensos, conjugados com uma montagem aflitiva e espreitadora (a perseguição; o esconderijo), captando com destreza ora as deslocações e a mera existência corporal da mulher, ora os seus olhos e os seus lábios sedentos de paixão. Por outro, a maior parte do tempo é dedicada à exploração insuficiente de relações e acontecimentos que quebram o ritmo do pecado crescente que ameaça (e muito bem) surgir, não tanto a nível visual (mas também), mas sim a nível de argumento.


Esta deveria ter sido uma história da queda de uma família em virtude de uma rendição aos sentimentos. E logo aqui, surge um problema. Falamos da rendição da mãe ou também de um filho e de uma filha ? As tais relações deficientemente exploradas - ou o seriam ou não lhes tocaríamos. É a história de uma mulher sensual, imersa em volúpia reprimida, que tem um mero affair, visualmente arrojado mas narrativamente banal. Banal porque está desestruturado, porque não se encaixa devidamente na sua entrada e muito pior na saída. A coincidência, o azar que leva à morte de Edo é um clichê mais que visto e que enganou quem o escreveu, se pensou que queria dizer que "as acções têm consequências" e, citando o poster do filme, que "nunca mais nada será igual".

Wednesday, January 26, 2011

The Kids Are All Right / Os Miúdos Estão Bem (2010)

Os Miúdos Estão Bem é, juntamente com a surpresa chamada "Winter's Bone", um dos meninos de ouro do festival de cinema de Sundance de 2010, ao convencer a Academia em quatro categorias, depois de ter convencido exigentes audiências e desconfiadas distribuidoras, atentos ao cinema independente e promissor. Depois dos recentes Brokeback Mountain e Milk, a homossexualidade volta à grande noite de gala do cinema, mas com uma diferença que, a meu ver, comporta um arrojo que nos revela mais um passo muito positivo na ultrapassagem de certos "dilemas": o casal de lésbicas interpretado por Moore e Bening não são um veículo de revolta ou sensibilização para a tolerância; a sua homossexualidade não se define como potencial conclusão do filme (o seu triunfo), mas antes como premissa, como parte banal e rotineira da vida de uma família moderna - o filme ganhou muito com isso e o tratamento do tema dessa profunda instituição social só ficou mais sincero e eficaz (um maior sentimento de universalidade).

Parte, assim, de um argumento original não só por não se basear em qualquer material anteriormente publicado mas por tal qualificação se aplicar à sua própria génese. Depois, não só cumpre como surpreende, ao estar muito bem desenhado e estruturado, com uma evolução de personagens e dinamismo de conflito verdadeiramente envolventes, no tratamento de um tema complexo como a árdua tarefa de viver em família, um tema que facilmente redundaria num filme europeu mau (daqueles que, ao ser sobre "nada", pretendem ser sobre "tudo"). Uma abertura incrível no contar desta história, com as várias relações entre as várias personagens a avançarem com sentido e drama bem feito de estádio para estádio, em que apenas pecou, a meu ver, o desenvolvimento da personagem de Laser, o filho mais novo do casal. O final agridoce mas esperançoso comporta um sentimento e preenchimento que rejeita qualquer tipo de facilitismo melodramático.

De resto, uma realização muito interessante, em que se alterna entre uma câmara à mão na estaticidade dos problemas com uma câmara fixa mas deambulante na reacção ao desafio (como no primeiro telefonema feito a Paul), e em que a montagem cria uma excelente associação de eventos e cria, a certa altura, uma suave e doce atmosfera de suspense e tensão em relação ao futuro a curtíssimo prazo (também potenciado pelos grandes planos dos actores, muito bem filmados, pouco usuais neste tipo de filme, que ainda se classifica com um tom ligeiramente cómico). Os actores estão óptimos e acho que Moore até está melhor do que Bening.

Saturday, January 22, 2011

You'll Meet a Tall Dark Stranger / Vais Conhecer o Homem dos teus Sonhos (2010)


Será profícuo e invejável o ritmo a que Woody Allen nos presenteia com as suas criações cinematográficas, ano após ano, sem falhar um único ano desde 1977 ? Ou será antes, socorrendo-me até da similitude das palavras para criar confusão, meramente prolífico e indesejável ? Com toda a complexidade e densidade que pode comportar a investigação, escrita, pré-produção, produção e pós-produção de um filme, atentando inclusive no trabalho de alguns dos maiores génios cinematográficos da actualidade (o maior, para mim, e grande paradigma para isto, Paul Thomas Anderson), será expectável continuar a ir ao cinema à espera de ver um novo "Annie Hall", "Hannah and Her Sisters", "Manhattan" ? As surpresas existem, é certo: "Match Point", em 2004 e "Vicky Cristina Barcelona", em 2007.

Vais Conhecer o Homem dos teus Sonhos é mais uma página na história do pensamento existencialista do grande cineasta, ao tratar os seus caríssimos temas da aproximação da morte, nomeadamente com o envelhecimento, da vida eterna, da espiritualidade, da procura do amor como um escape para a insignificância da vida, sob a égide da inevitável e, nesta filosofia, quase comovente traição.

A câmara está sempre no plano médio, evidenciando os gestos, as posições que retratam relações, os diálogos engenhosos e peculiares, muito fugindo à dramática inspiração que foi a obra de Bergman, o cineasta do rosto. Um misticismo interessante criado em relação à rapariga de vermelho, que é desvendado com sabor a pouco, que redunda numa evolução de uma relação bem construída mas que já não surpreende, embora seja bela a ironia de um dos planos finais, em que o marido observa a sua ex-mulher como outrora observou esta outra - a aleatoriedade, a incerteza, o papel do amor nas vidas como mero preenche-buracos. De resto, um argumento bem criado, limpo, com as típicas inter-relações sarcásticas e entristecidas entre várias personagens que encarnam a visão de Woody sobre a vida e a nossa participação na mesma.

Não é um grande filme, mas é um bom filme.

Thursday, September 2, 2010

Almodóvar, o passado e as memórias: Los Abrazos Rotos (2009)

Fecho este pequeno ciclo de Pedro Almodóvar com o seu mais recente filme e com outros dos temas que lhe são mais caros, o passado e as memórias, presentes em toda a sua filmografia, ora como alicerce fundamental da estória, ora como principal ditador da pujança da mensagem. Anseio por voltar a falar dele, dessa vez com novidade, com o seu "La Piel que Habito", com data de estreia prevista para 2011.



Uma estória de amor e paixão, poder e possessão, desejo e fuga, traição e vingança, é isto que o realizador espanhol filma em Abraços Desfeitos. Uma estória que podia ter sido bonita, que devia ter sido bonita e que, vista e contada a partir do presente, produz, não a nostalgia poética de Tarkovsky, mas uma nostalgia colorida, musical, que não nos torna introspectivos mas que nos obriga a ter compaixão pelas personagens - se chorarmos, nunca será por nós, será sempre por eles, o que não serve para depreciar o filme, primacialmente emotivo, com um final feliz que faz lembrar a magistral montagem de beijos dos últimos segundos de "O Cinema Paraíso".
Uma vez mais, voltamos ao filme dentro do filme, com um argumentista cego que viu a sua vida sentimental e a sua carreira como realizador de cinema arruinadas por um homem que, por querer possuir uma mulher que, pertencendo-lhe apenas através da igreja e em nome de uma antiga gratidão (por lhe ter salvo o pai), não lhe pertencia em coração. Assistimos, assim, numa atmosfera pesada graças aos seus ângulos e à sua iluminação esfaqueante, mas sempre colorida, ao florescer desse amor proibido entre Mateo e Lena e afligimo-nos com o seu desenvolvimento, sob o olhar furtivo, omnipresente e videogravador do produtor Martel, marido ciumento, perseguidor e cruel, numa criação de um suspense e tensão muito bem conseguidas, exactamente como Hitchcock nos ensinou -saber mais do que as personagens, sempre através da imagem. Não escapa à crítica o subplot, já bastante mais melodramático, novelesco até, recuperando os passos já gastos do "filho ilegítmo com pai sempre presente", o que acaba por tirar ao filme um nível que tiveram outros do autor.

Sunday, August 29, 2010

Almodóvar e a complexidade familiar: Tacones Lejanos (1991) e Todo sobre mí madre (1999)


A verdade é que todos os filmes de Almodóvar, ou quase todos, poderiam ser desenvolvidos a partir daqui. Tinha de escolher e, para ser sincero, estou satisfeito.

Em Saltos Altos, penetramos numa interessante "negociação relacional" entre uma mãe e uma filha, definida por uma série de iniciativas ofensivas e defensivas, por parte de uma e outra, de natureza aparentemente egoísta, mas profundamente terna, que quase tornam o pedaço da sua vida a que assistimos numa mesa de reuniões, pautada por cedências e investidas, destinadas a encontrar o amor entre uma e outra. De um lado, está a frustração e solidão de uma mulher que enquanto criança fora abandonada por sua mãe, sem grande arrependimento, ou com superficialidade de sofrimento, depois de lhe ter proporcionado um passaporte para o seu sonho de se tornar uma cantora de sucesso. Do outro, está essa mesma mãe, internamente envergonhada, magoada consigo mesmo, por sentir o que perdeu na sua filha, quando volta ao fim de vários anos. Todos estes sentimentos são ardilosamente escondidos por cada uma delas, perante a outra, e vão-se revelando ao longo de uma película que raspa o thriller, mas em que a própria procura pela solução do homicídio é suplantada pela (re)construção de uma pequena família a dois.
Não sendo uma obra brilhante, vale a pena, e parte da sua beleza deve-se ao intenso uso, mais do que em qualquer outra, da música pop, que é, também ela, parte importantíssima de toda a relação que vamos descobrindo.



Muito diferente é o fenomenal Tudo Sobre a Minha Mãe. Talvez o mais arrojado (temática e cinematograficamente) filme de Almodóvar, embarca-nos nas suas já características descodificações emocionais da mulher, a nível inter e intrasubjectivo, atravessando o universo atmosfericamente escandaloso, e por vezes repugnante, da homossexualidade, da transsexualidade, da droga, das DST, de forma quotidiana, completamente livre de preconceito ou medo perante a crítica mais conservadora. Ora sempre muito colorido, ora mais sombrio e ainda assim vivo, é uma magnífica obra sobre os recônditos do feminino e sobre a igualdade dos Homens, desprezando qualquer argumento institucional para a orientação da sociedade. Um filme que diz muito, muito, sobre os ideais do seu autor.

Thursday, August 26, 2010

Os melhores das décadas, 2000: Dancer in the Dark

Adorado por muitos, odiado por tantos outros, dicotomia que nada mais faz do que evidenciar que tudo se passou dentro da normalidade, neste trabalho de Lars von Trier, que acabou por vencer a Palma de Ouro, no festival de Cannes. Por mim, não deixou de ser um dos melhores do ano e, como tal, dos melhores da década.

Dancer in the Dark é uma estória de sofrimento e sacrifício pessoal, na esfera da maternidade e do sonho/ambição, aqui retratada de forma peculiarmente paradoxal, pois todo o melodrama, intenso e emocional, é filmado de forma rotineira, pouco preocupada, com uma arrogância própria face aos dilemas da vida. É isto assim graças ao falso cumprimento do famoso Dogma 95, que, se já não havia sido respeitado à risca em "Os Idiotas", muito menos o foi aqui - desta vez, existem cenas de violência, trabalho de luminosidade, música não-diegética, efeitos em computador e câmara estática.
Por entre uma câmara instável, aparentemente amadora, com pouca saturação, através de uma tentativa de reduzir os efeitos pós-produção ao mínimo, assistimos à magistral performance da cantora islandesa Björk, uma mãe pobre e cega, que luta para se sustentar a si e ao filho, procurando juntar dinheiro para lhe pagar uma operação aos olhos, que o resgate do destino que ela já arduamente trilha, e que enternecedoramente mantém acesa a chama de um dia vir a ser uma estrela de um musical.



Sucedem-se os acontecimentos dramáticos que acabam por destruir a vida de Selma, acompanhados por momentos musicais belíssimos (não de uma forma complexa, gloriosa e musicalmente épica, mas sim de forma simples e passageira), em que as cores gastas dão lugar a uma luminosidade extra e em que a câmara finalmente estabiliza por uns segundos, produzindo-se, desta forma, um acumular de tensão sofrível, efemeramente amparado pela resistência da esperança e da ingenuidade da personagem principal, e, sendo a emoção despertada me nós, espectadores, amparado também pela nossa própria piedade. No entanto, o crescendo sente-se, e não sendo aflitivo, não deixa de ser perceptível, culminando numa última cena aterradora, comovente e gritante, que opõe a melodia da vida e do triunfo do amor ao vácuo do silêncio mórbido e repentino.

Ainda assim, não é o meu favorito do autor.