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Saturday, August 21, 2010

Almodóvar e a conjugação física e metafísica entre o masculino e o feminino: Hable Con Ella (2002)

Apesar de ser um grande fã de todo o trabalho e de toda a sensibilidade artística de Almodóvar, considerando-o um dos meus realizadores favoritos, é na sua obra que encontro um particular destaque entre esta obra-prima e as outras, que também o são, como Tudo Sobre a Minha Mãe, Matador ou Má Educação. Fala Com Ela é visualmente mágico, sereno e estimulante, é musicalmente bonito e narrativamente sensibilizante, sincero, intelectual e emocionalmente surpreendente. Poético, lindo. Lindíssimo.

A cena com que se abre aos nossos corações e à nossa mente é de uma beleza e de uma fluidez de sentidos indescritível, anunciando-nos, através da dança, numa coreografia de Pina Baush, toda a estória do filme, que é a estória do Homem numa essência etérea, superior a Adão e a Eva, acima do Éden - duas mulheres, com os seus vestidos oscilantes, quase como fantasmas, vagueiam instáveis por uma sala repleta de cadeiras, num constante vai e vem, cadeiras apenas desviadas por dois homens que surgem no palco. É esta a representação de Benigno e Marco, como moldadores dos caminhos de Alicia e Lydia, uma cooperação eterna, inevitável, enquanto, na plateia, Marco chora emocionado, revelando que os homens também choram e isso já não pode mais diferenciar o sexo masculino do feminino.
É enquanto Alicia e Lydia estão em coma que os dois homens se conhecem, se tornam companheiros de sentimentos e, juntos, aprendem sobre mulheres. Mas esta aprendizagem não é puramente prática, analítica, esquemática. As duas, em coma, estão num estado pouco conhecido por nós, balançam entre a vida e a morte, uma viagem feita por poucos, e flutuam numa condição quase metafísica - é exactamente assim que assistimos à impossibilidade do masculino em viver sem o feminino, perpetuando-se uma cuidadosa guarda de uns em relação aos outros, cada um influenciando o outro (pois a inactividade de Lydia e Alicia também trilham os caminhos de Marco e Benigno, eles prendem-se e elas prendem-nos). Falar com elas, é a solução.

Através de um argumento incrivelmente original, pautado pelo flashback, ficamos a conhecer o surgimento de duas relações de identificação, da sua destruição, das alegrias que comportam e das tragédias a que levaram - a consequência entre a separação entre um homem e uma mulher pode ir desde a desistência melancólica e passível de doloroso arrependimento, à obsessão mais doentia e desumana (Benigno engravida Alicia, em coma).

As mortes que surgem antes do final da película são acompanhadas pelo surgimento de nova vida, criando um ambiente dramático e evidenciador do equilíbrio existente entre os sexos, numa comunhão que nos ultrapassa, sempre ultrapassou e sempre ultrapassará (a cena do filme mudo representa tudo isto de forma magistral). Os homens são iguais aos homens, as mulheres são iguais às mulheres, os homens são mulheres, as mulheres são homens, o homem surge da mulher, a mulher surge do homem. É de uma incontornabilidade assustadora, de onde resulta o amor, o sexo, a reunião, a intimidade, a solidão.

O filme termina como acaba - com dança, música (enfim, beleza, beleza), com Marco a chorar, alguns lugares à frente de Alícia, mãe de um filho sem pai (Benigno havia-se suicidado na prisão, condenado por violação à própria), tudo indicando que, para lá da rodagem, surgiu um novo romance. A tal continuação, o tal equilíbrio.

Friday, August 20, 2010

Almodóvar, a obsessão e a necessidade do auto-conhecimento: Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988) e La Mala Educatión (2004)


A obsessão é um dos inafastáveis veículos de condução da essência humana, ao ser todo um conjunto de atitudes potenciais, portanto, que exponenciam outras, mais simples. Trata-se de um espelho dos pontos de vista da emoção e do intelecto humano - de forma mais racional e prospectiva, e aí chame-se-lhe ambição, ou mais descontrolada e alheia, e aí chame-se loucura.

Foi com um pequeno retrato de um conjunto de obsessões que Pedro Almodóvar deu o grando salto para a ribalta, nomeadamente para solo norte-americano, em Mulheres à beira de um ataque de nervos. Longe das suas lutas psicológicas, filosóficas e culturais pelo liberalismo social e sem intenções discurssivas mais profundas, sobre o Homem, que normalmente aborda, conta-nos a estória de um dia na vida de três mulheres que se conhecem e se interligam através de um conjunto de teias ditadas pelos seus homens ou pelo acaso, acabando cada um por levar ao outro. São vários os episódios caricatos e hilariantes que as personagens protagonizam, a um ritmo precisamente nervosinho (close-shot nos sapatos irrequietos), consciente mas à beira do ligeiro histerismo, com diálogos secos, rápidos e cómicos e com uma atmosfera neutra e incrivelmente colorida - um melodrama paródico, um filme engraçadíssimo, um óptimo remédio para a má disposição.


Em Má Educação, identifico uma visão e uma abordagem completamente diferente ao tema, às personagens, à atmosfera, à vida - uma obsessão por respostas, por explicações, ainda que forjadas. O linear desmantela-se em o desestruturado e indeciso (sucessivas analepses), conferindo ao argumento a primeira ponta de dinâmica e criatividade e embrenhando o espectador na efémera e recorrente luz com que a nossa memória nos confere acesso ao passado. A perspectiva singular e directa desmonta-se num aglomerar de influências, desenvolvendo-se aqui toda a genialidade narrativa da película, pois são várias as estórias que assistimos, nós e as personagens, de forma autónoma e separada, como inúmeras caixas sucessivamente dentro umas das outras, abrindo-se à nossa vontade, fazendo-nos duvidar da sua continuidade e questionar sobre o seu papel.
É assim a única forma de compreender o caminho por onde viemos, as etapas que ultrapassamos, os obstáculos que enfrentámos, aquilo que nos deram, aquilo que nos tiraram, aquilo que perdemos, conquistámos ou roubámos. É assim a tentativa que é feita por Almodóvar para se fique, nós a conhecer e as personagens a recordar, aquilo que foi um caminho tumultuoso pela infância, pela adolescência, pela árvore em que se tornou uma má educação, pelo controverso de que se parte e que daí surge (o abuso sexual, a transsexualidade, as drogas), pelas estranhas conexões que podem surgir entre o Homem, que caricaturam o próprio acaso e fazem dele estúpido (do acaso). Uma busca por uma identidade própria (com literais trocas de identidade, ao longo do filme), uma necessidade de auto-conhecimento.
Esteticamente irrepreensível, com uma fotografia serena e emotiva (as cenas da ingenuidade infantil, das brincadeiras, em câmara lenta, acompanhadas pelo canto agudo da criança; a cena escura e azul, assustadora, na casa de banho, com um close-shot nos pés das crianças, escondidas atrás da porta, aumentando a tensão que culmina na imponente imagem do padre, quando a consegue abrir).
Um dos meus favoritos.

Wednesday, August 18, 2010

Almodóvar e a sátira religiosa: Entre Tinieblas (1983)

É com um dos tematicamente mais controversos filmes da sua carreira e com uma certa dose de non-sense que Almodóvar faz uma arrojada e seca crítica à religião, um risco que custou a aceitação do filme no Festival de Cannes. Negros Hábitos retrata uma série de episódios na vida de uma peculiar congregação de freiras, que vivem num mosteiro quase de recurso, que se vestem de preto e que se guiam na vida pela direcção e em nome do pecado, ou não tivesse Jesus Cristo sido morto para nos redimir dos mesmos - na verdade, o nome das suas vestes, que empresta palavras ao título, é religiosamente transposto para acções, diálogos, filosofias e atitudes.
Em contraste com a rigorosa relação entre o preto e o branco, aqui irmãos da ordem, do compromisso e da humildade (uma vida de despojos), reflectem, cantam e exaltam-se sempre toda uma panóplia das mais emocionantes e despertadoras cores em volta das personagens, estabelecendo o feixe da direcção irónica que a película leva, bastião da "balda", do desleixo e do divertimento quase inconsequente - e se leva o moderador de adjectivo é porque a hipocrisia da madre superiora assim o exige. A droga, a criação de um animal selvagem, a protecção de uma prostituta criminosa intimamente ligada às próprias freiras, a extorsão de dinheiro, o passado marcado pelo assassínio ou o presente pautado pela homossexualidade, e a redacção de contos eróticos são o verdadeiro e leviano dia a dia destas mulheres de Deus, que não deixam de se prezar a um ridículo e falhado esforço de cobertura, de onde a mentira, a forja, a corrupção e o interesse pessoal emergem como triunfo e pseudo-exemplo. Não é dos meus favoritos, mas, ainda assim, consegui aprecia-lo.

Tuesday, May 11, 2010

Valentine's Day / O Dia dos Namorados (2010)


Parece-me importante ter sempre, como recurso, um filme para ver numa altura em que não nos apetece pensar absolutamente nada. Não estendo estas considerações ao intelectualismo com que nos brinda Lars Von Trier, não vou tão longe. Falo daqueles momentos em que nem nos apetece fazer associações e descobertas mirabolantes, num thriller qualquer, de que nos orgulhamos nos dias seguintes. Este filme é paradigmático para esses momentos.
O recheio do bolo é especializado na categoria "le romance": Ashton Kutcher (para mim, como já dei a entender há uns tempos, o pai deles todos), Jessica Alba, Julia Roberts (e para este trouxe a irmã, Emma Roberts), os Gray's Patrick Dempsey e Eric Dane (Dr. Shepherd e Dr. Sloan, respectivamente), Taylor Lautner (Jacob, da saga Twilight), entre outros.

A história: super previsível (claro que não esperava que a personagem de Julia Roberts fosse ter com o filho, mas era óbvio que não ia ter com um homem; única surpresa foi a homossexualidade do seu companheiro de avião) e muito pouco aliciante para um dia normal. Namora, não namora; casa, não casa; ama, não ama; destino, não destino; felizes para sempre. Bla, bla bla. Mas é a tal coisa: parece-me adequado para ir ver com a namorada, do tal dia.

É um filme que não vou esquecer (nem ia, já que vai passar a dar na TVI várias vezes por ano): é, para mim, o grande bastião dos "filmes de domingo à tarde".

Tuesday, May 4, 2010

Life During Wartime / A Vida em Tempo de Guerra (2009)

Mais um que vi no IndieLisboa'10, mesmo para terminar. E posso dizer que fiquei contente. Não foi brilhante, mas saí do cinema bastante bem disposto. Não conhecia nada do director, Todd Solondz, mas tenho tendência a gostar de melodramas cómicos, estilo que o caracteriza. Esta peça não fugiu à qualificação - e ainda bem, diga-se, já que é isso que salva o filme.

Temos duas personagens a partir das quais se desenrola a estória: as irmãs Trish (Allison Janney) e Joy (Shilrey Henderson - qualquer pessoa que tenha visto os filmes de Harry Potter identifica a rapariga, já que aquela voz não engana absolutamente ninguém: Murta-Queixosa). A primeira vive um novo amor com um homem mais velho, a perfeita figura paternal para os seus filhos, depois de ver o marido condenado à prisão por pedofilia (os dois filhos mais novos pensam que morreu; o universitário sabe de tudo, já que ele próprio terá sido abusado). A segunda vem ter com a primeira, deixando, em New Jersey, o seu trabalho numa penitenciária e os fantasmas do seu passado (entenda-se, um fantasma a sério, um homem problemático com quem havia tido uma relação e um fantasma metafórico, um homem problemático, vivo, com quem tinha uma relação que estava em "stand by", além de todas as suas inseguranças e dramas internos).

Às tantas, o marido de Trish é libertado e, paralelamente, o filho pré-adolescente (Dylan Snyder) descobre a verdade sobre o pai, entrando numa espiral paranóica quando à pedofilia e ao perdão que merecem os pedófilos - é esta sua visão assustada da patologia que arruína a relação da mãe com Harvey (Michael Lerner) e a possibilidade de voltarem a ser uma família "normal" (adjectivo a que Trish recorre por diversas vezes - ela só queria uma vida normal). Assistimos também à decadência irreversível do ex-condenado, Bill (Ciaran Hinds), que acaba por pedir perdão ao filho, antes de "morrer numa sarjeta".

Ao mesmo tempo, os fantasmas de Joy voltam a assombra-la, levando-a à loucura, que, por sua vez, a leva a tentar agarrar-se à única coisa que lhe resta: o homem que deixou em "stand by". Este acabava de suicidar-se.

Um filme que segue uma linha um pouco diferente do normal: em vez de partir da desgraça para a esperança, parte da esperança para a desgraça. Uma verdadeira espiral descendente.

A premissa é interessante. Porém, achei a estrutura do argumento um pouco desconexa e com algumas cenas a soarem a aleatórias (quer o seu fim, para a estória, quer a sua inserção no todo, como conjunto coerente - não obstante, ganhou melhor argumento em Veneza). Houve coisas mal explicadas, além disso - compensaram os diálogos, que estão qualquer coisa. Muito, muito engraçados. Todo o cinema soltou várias gargalhadas. Foi, de facto, o ponto forte. Quanto aos actores, tenho pouco a apontar. Ninguém esteve particularmente mal, o único que se destacou foi o rapaz, Dylan. A realização deixou um pouco a desejar, em alguns pontos: houve duas ou três cenas cortadas de forma brusquíssima e, na "introdução" da casa da família, na parte do belo jardim, era sempre a mesma filmagem.

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Friday, April 9, 2010

A Clockwork Orange / Laranja Mecânica (1971)


A primeira coisa que me saltou à vista foram os cenários - os que correspondem a algo construído pelo homem, como uma casa. A decoração e configuração da casa de Alex DeLarge (Malcom McDowell, que eu só conhecia de Heroes, como Linderman) e daquela em que o grupo viola uma mulher, que vem, mais tarde, a servir de tecto ao nosso personagem principal, revela a sua impressionante visão futurista. Se me dissessem que era algo actual, acreditaria. Também é verdade que de moda percebo pouco, mas parecia mesmo moderno. A este tratamento vanguardista, deixem-me acrescentar uma nota sobre as filmagens bastante explícitas dos nus. Notem, para tudo isto que acabei de dizer, que já lá vão quase 40 anos.


A isto acresce o facto de ser uma grande história. Anda à volta do tema da violência e do debate filosófico entre a função da sanção, neste caso, a prisão (punição(/retributivismo vs reabilitação), que já vem a ser tratado desde os gregos.


A violência é retratada de uma forma fantástica, numa espécie de comédia sádica – aos actos cruéis (agressão a um velho sem abrigo, bêbedo; violação de mulheres) subjazem as posturas descontraídas e gozonas do grupo (os comentários, as máscaras, os fatos que, noutro contexto, seriam apenas idiotas, o tom de voz de Alex, a música divertida e engraçada que quase nunca pára). Por momentos, é capaz de nos fazer pensar se não estaremos com um sorriso estúpido na cara, a achar graça às maldades que os rapazes vão perpetuando.


A certa altura, DeLarge é traído pelos amigos (os indícios já o faziam prever) e acaba por ir para à prisão, onde a sua postura de “mandrião” autêntico (parece-me uma boa qualificação) é completamente desmontada. Baixa a bolinha e começa a converter-se (talvez esta conversão deve ficar entre aspas, se é que me percebem) à religião. É um claro percurso de lambidela de botas, de uma intencional pseudo-ingenuidade e pseudo-arrependimento, igualmente cómicos. Muito bom.


Às tantas, lá arranja maneira de se submeter ao mais recente tratamento do Ministério da Justiça, que promete curar todo o intento criminal de todo o criminoso, a fim de tornar a sua reinserção na sociedade mais fácil e desejável. É uma autêntica tortura para o personagem e acaba por resultar de forma exagerada e desumana – não consegue suportar violência nem sexo, de forma alguma. Enquanto que, aqui, alguns defendem que se deve seguir com a punição dos criminosos, outros defendem que o caminho é a reabilitação. O tal debate.


A saída da prisão acaba por só trazer mais desgraças. Os seus pais têm um novo “filho”, e praticamente rejeitam o pródigo, é espancado por um grupo de sem-abrigo, é torturado fisicamente pelos colegas traidores (que, na altura, já são polícias) e psicologicamente por um homem que deixou inválido, num dos seus ataques (em que também matou a sua mulher). Notem que isto é tudo de seguida: é espancado, os polícias salvam-no; foge e vai dar com a casa do homem. Esta última travessia é particularmente engraçada, já que o instrumento de tortura é a sua outrora música preferida, a 9ª sinfonia de Beethoven, cujo repúdio foi um dos efeitos secundários do famoso tratamento “Ludovico”.



Eis que chega o final. O Ministro da Defesa, interessado em manter o seu capital político, corrompe o nosso “humilde protagonista” (é, entre outras coisas, assim que ele se apelida, enquanto narra a história), que estava no hospital, após uma tentativa de suicídio, por não aguentar aquela tal tortura psicológica – a imprensa e o povo logo caíram em cima do governo, acusando o seu programa de violação dos direitos humanos. Nos últimos segundos, o Ministro pensa que consegue corrigir a situação, pousando para a comunicação social, num ambiente de cumplicidade, com Alex. No entanto, parece que até a reabilitação tem cura …


Aqui pode entrar uma breve explicação do título (que, confesso, não percebi, quando vi o filme). Basicamente, o homem tem sempre a opção de escolher o caminho do bem ou do mal. Neste sentido, é como uma laranja, um organismo vivo, com cor e sumo. No entanto, Alex é condicionado e forçado a escolher o bem. É nessa altura que se torna uma laranja mecânica. Fantástico.


Uma última nota para os diálogos, que estão brilhantes.


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Thursday, April 1, 2010

Monday, March 29, 2010

(500) Days of Summer (2009)


"Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn't."

Depois de visto o filme, posso assegurar que é uma bela tagline; antes disso, juntamente com a informação sobre o género como sendo "uma comédia romântica", pode tornar-se pouco atractiva.

É, aliás, por aí que quero começar: não se entenda que é uma comédia romântica como aquelas a que estamos habituados a ver a um domingo à tarde (como aquelas com que o Ashton Kutcher nos costuma presentear). Nesses, a história gira basicamente à volta disto: 1) um homem e uma mulher estão profundamente apaixonados (sendo que, por vezes, ao início há uma certa hostilidade entre os dois); 2) a meio do filme há um turning point (provocado por um ex-marido, uma ex-namorada, a necessidade de mudar de cidade, um passado obscuro, por aí) e chega a fase da depressão/ódio (é aqui que, por vezes, acontecem certas situações que agravam a acidez da relação, coisa que só serve para dar mais hype ao ponto que se segue); 3) momento emocionante, com música emocionante, em que é prestada uma grande prova de amor; 4) fim.

Por isso, acho que a divisão que o IMDB faz é mais indicada: "Comédia/Drama/Romance".

A história é isto (e completando a frase com que comecei esta análise):

1. Rapaz (Joseph Gordon Levitt, como Tom Hansen) conhece rapariga (Zooey Deschanel, como Summer Finn).
2. Rapaz (acredita no amor e no destino) apaixona-se por rapariga (não acredita no amor nem no destino). Rapariga não se apaixona por rapaz.
3. Rapaz e rapariga são namorados. O que foi dito no ponto acima mantém-se.
4. Rapariga acaba tudo do nada - não gosta dele e não quer nada sério. Rapaz fica destroçado.
5. Rapaz esquece rapariga (deixa de acreditar no amor e no destino). Rapariga casa com outro rapaz (passa a acreditar no amor e no destino).
6. Rapaz segue com a sua vida e conhece uma rapariga chamada ... Autumn (Outono).

Uma frase que ilustra tudo isto que acabei de dizer faz, ela mesma, parte do guião do filme, logo nos segundos iniciais: "This is NOT a love story. This is a story ABOUT love."

É uma história engraçada, descontraída e que leva um rumo original e diferente. O final está particularmente pouco comum, mas sempre muito coerente. Depois tem umas piadas subtis, outras nem tanto, mas sempre muito bem concebidas. Gosto do modo como o filme é conduzido, andando para trás e para à frente, enquanto Tom desabafa com os amigos e com a irmãzinha.

Quanto aos actores, não achei o Joseph nada de especial. Já a Zooey, a primeira impressão é a de que passa muito despercebida; com a cara que está, parece que foi o "frete" filmar aquilo. No entanto, depois de pensar nisso à luz da história, fiquei a achar que era uma postura de "indiferença" que dá um toque especial à coisa.